terça-feira, 28 de abril de 2009

ORAÇÃO POR DINHEIRO


Meimei
Senhor!
No concerto das forças que te desejam honrar, eu também sou teu servo.
Por me atribuíres o dever de premiar o suor e sustentar o bem, como recurso neutro da aquisição, ando, entre as criaturas, freqüentemente, em regime de cativeiro.
Muitas delas me escravizam para que eu lhes compre ilusões e mentiras, prazeres e consciências.
Noto com ais nitidez minha própria tarefa, cada vez que escuto alguém chorar no caminho, entretanto, quase sempre, estou preso...
Que fiz eu,
Senhor,
para viver encarcerado no sombrio recinto do cofre, como se eu fora um cadáver importante no esquife trancado da inércia?
Ensina aos que me guardam sem proveito que sou o sangue do trabalho e do progresso, da caridade e da cultura e ajuda-os para que me libertem.
Quase todos eles procuram estar contigo, através da oração, nos templos que abraçam.
Dize-lhes na prece que sou a esperança do lar sem lume...
Fala-lhes que posso ser o conforto das mães esquecidas, o arrimo dos companheiros caídos em provação, o leite devido aos pequeninos de estômago atormentado, o remédio ao enfermo e o lençol generoso e limpo dos que se avizinham do túmulo".
Um dia, alguém te apresentou moeda humilde, empenhado ao imposto público para que algo dissesses e recomendastes fosse dado a Cesar o que é de Cesar.
Muitos, porém, não perceberam que te reportavas ao tributo e não a mim e, julgando que a tua palavra me condenasse, lançaram-me ao desprezo...
Não ignoras, contudo, que nasci para fazer o melhor e esteja eu vestido de ouro ou de simples papel, sabes,
Senhor,
que eu também sou de Deus.
Livro – Abençoa Sempre –
Francisco Cândido Xavier –
espíritos diversos

terça-feira, 21 de abril de 2009

Poças de Lama


Poças de Lama...Pelos Olhos de Uma Criança
Quando olho dentes-de-leão, eu vejo ervas daninhas invadindo meu quintal.
Meus filhos vêem flores para a mãe e sopram a penugem branca pensando em um desejo.
Quando olho um velho mendigo que me sorri, eu vejo uma pessoa suja que provavelmente quer dinheiro e eu me afasto.
Meus filhos vêem alguém sorrir para eles e sorriem de volta.
Quando ouço uma música, eu gosto.
Mas não sei cantar e não tenho ritmo; então me sento e escuto.
Meus filhos sentem a batida e dançam.
Cantam e se não sabem a letra, criam a sua própria.
Quando sinto um forte vento em meu rosto, me esforço contra ele.
Sinto-o atrapalhando meu cabelo e empurrando-me para trás enquanto ando.
Meus filhos fecham seus olhos, abrem seus braços e voam com ele, até que caiam a rir pela terra.
Quando rezo, eu digo Tu e Vós e conceda-me isto, dê-me aquilo.
Meus filhos dizem, Olá Deus!
Agradeço por meus brinquedos e meus amigos.
Por favor, mantenha longe os maus sonhos hoje à noite.
Eu ainda não quero ir para o céu.
Eu sentiria falta de minha mãe e de meu pai.
Quando olho uma poça de lama eu dou a volta.
Eu vejo sapatos enlameados e tapetes sujos.
Meus filhos sentam-se nela.
Vêem represas para construir, rios para cruzar e bichinhos para brincar.
Eu só queria saber se os filhos nos foram dados para nos ensinarmos ou para aprendermos...
Eu recomendo que você aprecie as pequenas coisas da vida, porque um dia poderá olhar para trás e descobrir que eram grandes coisas grandes.
E, pra finalizar, desejo à você grandes poças de lama...e dentes-de-leão!!!