quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

AMOR E LIBERDADE


A energia que atrai o homem e a mulher para o casamento é muito forte.
Mesmo nos dias atuais, quando os usos e costumes sofrem o impacto do mundo industrializado, da globalização, da ascensão social, profissional e econômica da mulher e a conseqüente ampliação da sua liberdade sexual, essa força é muito grande.
Há vozes que pretendendo trazer um cunho de modernidade, afirmam ser o casamento uma instituição obsoleta, fadada ao desaparecimento.
A doutrina espírita nos diz que "para a sociedade o relaxamento dos laços de família será uma recrudescência do egoísmo" (O Livro dos Espíritos, Questão nº 775, de Allan Kardec).
Portanto, a atração entre o homem e a mulher para a constituição de um relacionamento estável, de fidelidade, de produzir prazeres um para o outro, zelo recíproco é aspiração de ambos.
É inegável, porém, que a modernidade trouxe algumas dificuldades para esse relacionamento, que nunca foi fácil.
A mulher deixou de ser apenas a "dona de casa", com auxiliares ou não.
Não é mais submissa, quase de forma incondicional ao homem, não só pelos usos e costumes, mas também, por uma legislação que a colocava sob a tutela do marido.
Hoje esse relacionamento pode ser estimulador de crescimento e realização para ambos ou foco de constantes conflitos.
Ao lado dos fatores jurídicos sociais surgem os fatores psicológicos.
Fui levado a essas reflexões após a leitura de interessante história, cujo título já é bastante sugestivo:
"O verdadeiro amor não prende, apenas acompanha"
Assim inicia:
"conta uma antiga lenda dos índios Sioux, que, Touro Bravo, valente e honrado guerreiro e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho pajé.
Nós nos amamos... e vamos nos casar – disse o jovem.
E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho ou um talismã... alguma coisa que nos garanta ficarmos sempre juntos... que nos assegure estarmos um ao lado do outro até encontrarmos a morte.
Há algo que possamos fazer?
O velho índio emocionado ao vê-los tão apaixonados e desejosos de um conselho disse:
- Sim!
Algo pode ser feito, mas é uma tarefa muito difícil.
Você Nuvem Azul,
deve escalar o monte apenas com uma rede nas mãos e caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E você Touro Bravo
– continuou o sábio feiticeira -, escale a montanha do trono.
Lá no pico você encontrará a mais brava das águias.
Com as mãos e uma rede você a apanhará, trazendo-a viva para mim.
Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão.
No dia estabelecido, à frente da tenda do sábio pajé, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O índio sábio pediu que as tirassem dos saco com cuidado.
Indagou o jovem:
- E agora o que faremos?
Vamos matá-las e depois bebermos a honra do seu sangue?
- Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne?
– propôs a bela índia.
- Não – disse o pajé -,
amarrem-nas pelas pernas e soltem-nas,
para que voem.
Fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros.
A águia e o falcão tentaram voar, mas apenas conseguiram saltar pelo terreno.
Exaustas e irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se e se machucando.
O velho disse:
- jamais se esqueçam do que estão vendo.
Este é o meu conselho.
Vocês são como a águia e o falcão.
Se estiverem amarados entre si, ainda que por amor, viverão arrastando-se e, cedo ou tarde, começarão a se machucar.
Para que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mais não amarrados.
Concluímos que a pessoa amada é companheira na senda de nossa evolução em direção à felicidade, com ela poderemos partilhar nossos sorrisos, nossas lágrimas, nossas esperanças, mais não escravizá-la na posse, como se fora um objeto.
Os bons sentimentos existirão e perdurarão se houver liberdade e responsabilidade para com o ser amado.